Dicas para prevenir a doença de Alzheimer

Por: Leonardo da Cunha Guimarães

A Doença de Alzheimer (DA) é a demência com maior incidência na população mundial. Por demência, entende-se uma desordem que ocasiona a perda acelerada de funções cognitivas como memória, atenção, concentração, raciocínio lógico, habilidades visuoespaciais, entre outras. Estas funções declinam naturalmente ao longo do envelhecimento, mas indivíduos acometidos com demências apresentam um declínio consideravelmente acelerado. Além das funções mencionadas, indivíduos com diagnóstico de DA também apresentam comprometimentos na linguagem e perda do controle voluntário dos esfíncteres em estágios mais avançados.

Ainda que avanços esperançosos tenham sido realizados nos últimos anos, a DA ainda é uma desordem considerada crônica. Desta forma, investir em medidas preventivas é a melhor estratégia terapêutica disponível. A seguir, apresentamos algumas medidas preventivas descritas na literatura.

1 – Importância Vital do Sono

Dentre os inúmeros benefícios associados ao sono, sabe-se que durante o sono são acionados mecanismos de reparo celular importantes para a prevenção de eventos inflamatórios e neurodegenerativos. Igualmente, um número notável de estudos já demonstrou que a privação do sono ocasiona estresse oxidativo, sendo um potencial fator de risco para desordens neurodegenerativas, entre as quais a DA.

2 – A Magia de Continuar Aprendendo

Pessoas com baixa escolaridade ou pouca estimulação cognitiva costumam apresentar sintomas mais precocemente. Por isso a estimulação cognitiva diversificada e o aprendizado constante de diferentes atividades é um importante fator de prevenção ou ao menos uma forma eficaz de retardar os
sintomas da DA.

3 – Cuidado com a glicose!

Em um trabalho recentemente apresentado em um evento científico do Centro Universitário Cenecista de Osório (UNICNEC), a Dra. Camilla Lazzaretti e eu abordamos as relações entre o Diabetes Mellitus e a DA. Conforme vem sendo descrito por diferentes Pesquisadores, a hiperglicemia sanguínea (excesso de glicose na corrente sanguínea), característica do Diabetes Mellitus, causa alterações no metabolismo encefálico, expondo as células nervosas a eventos morfológicos desadaptativos. A hiperfosforilação da proteína tau (proteína envolvida na formação dos chamados microtúbulos neurais, que auxiliam no transporte de substâncias entre os neurônios) e o depósito de placas β-amilóides na porção mais distal dos axônios são algumas das alterações neurais características da DA que podem ser desencadeadas pelo Diabetes Mellitus incorretamente tratado.

A etiologia da DA permanece desconhecida, de modo que indivíduos com propensão genética expostos a alguns agentes ambientais possam vir a desenvolver a doença mesmo seguindo estas dicas que apresentamos. Todavia, além de haver evidências científicas comprovando a efetividade de tais medidas como fator preventivo da DA, estes hábitos estão diretamente associados a maior longevidade e melhor qualidade de vida. Buscar adotá-los só irá lhe trazer benefícios!

Leonardo da Cunha Guimarães é estudante de Graduação em Psicologia e Pesquisador de Iniciação Científica pelo Centro Universitário UNICNEC, da Cidade de Osório, Rio Grande do Sul. Possui interesse pelos mecanismos neurais de doenças neurodegenerativas e de diferentes transtornos de ansiedade. Atualmente, é integrante de um Projeto de Pesquisa que investiga o papel do ambiente familiar na etiologia dos transtornos de ansiedade.

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